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Protocolo de limpeza para clínica: o que o manual da Anvisa e a ficha técnica pedem

Como montar o protocolo de limpeza e desinfecção de uma clínica pelo manual da Anvisa para serviços de saúde: quando usar detergente e quando usar desinfetante, a frequência por área, o passo a passo com sangue ou fluido e os produtos na diluição da ficha técnica.

TL;DR

  • A referência é o manual da Anvisa "Segurança do paciente em serviços de saúde: limpeza e desinfecção de superfícies".
  • Na rotina, detergente. O manual restringe o desinfetante a situações específicas: matéria orgânica (sangue e fluidos corporais), microrganismos multirresistentes ou indicação do SCIH.
  • Frequência mínima da limpeza concorrente: 3 vezes por dia em área crítica, 2 em semicrítica e 1 em não crítica. Limpeza terminal programada: semanal, quinzenal e mensal.
  • Com sangue ou fluido: retirar, limpar, enxaguar, secar e só então desinfetar.
  • Desinfetante é o que a ficha diz "Desinfetante Hospitalar", na diluição e no tempo de contato dela: 10 minutos nos quatro da linha Becker.

Resposta direta

O protocolo de limpeza de uma clínica tem três partes. A primeira é o que limpar e quando, pela área: o manual da Anvisa para serviços de saúde dá a frequência mínima da limpeza diária e da limpeza terminal. A segunda é com o quê: detergente na rotina e desinfetante só onde o manual indica, sempre na diluição e no tempo de contato da ficha técnica do produto. A terceira é o registro: o procedimento escrito, o cronograma da limpeza terminal assinado e a FDS de cada produto ao alcance da equipe.

O que o manual da Anvisa diz

Trechos conferidos no manual da Anvisa de limpeza e desinfecção de superfícies (Anvisa, 2010):

TemaO que o manual diz
Detergente ou desinfetanteUsar sabão ou detergente na rotina; desinfetante restrito a situações específicas, como presença de matéria orgânica e de microrganismos multirresistentes
Matéria orgânicaToda substância que contenha sangue ou fluidos corporais, como fezes, urina, vômito e escarro
Antes de desinfetarRetirar a matéria orgânica, limpar e só então desinfetar; o local deve estar rigorosamente limpo
MobiliárioLimpar com sabão ou detergente e depois friccionar com álcool a 70% ou outro desinfetante definido pelo SCIH
PisoNunca varrer a seco; usar varredura úmida, ensaboar, enxaguar e secar
MisturaNão misturar produtos saneantes, exceto quando o fabricante indicar; preparar a solução só para uso imediato
ProdutoSaneante registrado ou notificado na Anvisa, em embalagem rotulada e dentro do prazo de validade
Limpeza terminalCronograma com data, dia da semana e horário, confirmado com a assinatura do chefe do setor e do responsável pela equipe de limpeza

As áreas e a frequência

O manual classifica as áreas dos serviços de saúde em três grupos e dá a frequência mínima de cada limpeza:

ÁreaExemplos no manualLimpeza concorrente (diária), no mínimoLimpeza terminal programada
CríticaLaboratório de análises clínicas, central de material e esterilização, farmácia, centro cirúrgico, unidade de diálise3 vezes por diaSemanal
SemicríticaAmbulatórios, banheiros, posto de enfermagem, corredores, elevador2 vezes por diaQuinzenal
Não críticaÁreas administrativas, copa, vestiário, almoxarifado1 vez por diaMensal

Em todas, a concorrente é feita em data e horário preestabelecidos e sempre que necessário. O próprio manual ressalva que o risco de infecção depende do procedimento feito no local, não só da área: use a tabela para organizar a equipe e classifique cada sala da clínica no seu protocolo.

Limpeza concorrente é a diária: limpar e organizar o ambiente, repor sabonete, papel higiênico e papel toalha, e recolher os resíduos. Limpeza terminal é a completa, de todas as superfícies horizontais e verticais, internas e externas.

Os produtos, pela ficha técnica

TarefaProdutoO que a ficha dizFicha
Limpeza de rotina de superfícies e piso (sem matéria orgânica)Beckplater (detergente neutro)Limpeza em geral a 1:20; piso impermeabilizado em até 1:250; enxaguarFT-0015 rev 11
Desinfecção de superfície fixa, depois de limpaBecker Perox AdvancedDe 1:25 (40 mL por litro de solução) a 1:100 (10 mL por litro de solução), 10 min; contra micobactérias e C. difficile, só 1:25FT-0613 rev 06
Desinfecção de superfície fixa lavada, enxaguada e secaBecker Clorex uso hospitalar1:100, 10 min; enxaguar caso necessárioFT-0051 rev 16
Desinfecção de superfície fixa sem enxágueVulcan Hospitalar PHMBAté 1:200, 10 min; não enxaguar e deixar secarFT-0571 rev 03
Fricção no mobiliário e em artigos não críticosBecker Álcool Etílico 70° INPMPuro, 10 min; não usar em superfície sensível ao álcoolFT-0607 rev 05
Mãos: fricçãoGel Fresh BeckerGel antisséptico para as mãos; friccionar até absorver, sem enxaguarFT-0190 rev 13
Mãos: lavagemBecker Classic AsseptSabonete antisséptico, usado puroFT-0712 rev 00

O que cada desinfetante comprova, microrganismo a microrganismo, está em quaternário, peróxido ou cloro. O Vulcan Concentrate Plus é desinfetante de uso geral (FT-0022 rev 15), não hospitalar: fica fora do protocolo de saúde.

Passo a passo: superfície com sangue ou fluido

Os passos 2 a 6 são os do manual da Anvisa para pequena quantidade de matéria orgânica em piso ou parede, com o produto na diluição da ficha:

  1. Coloque o EPI da FDS. As FDS dos desinfetantes hospitalares da linha trazem a palavra de advertência PERIGO e pedem luvas e óculos de proteção.
  2. Retire a matéria orgânica com papel toalha ou pano.
  3. Limpe com detergente (Beckplater a 1:20), enxágue e seque.
  4. Aplique o desinfetante na área de onde saiu a matéria orgânica. Exemplo: Becker Perox Advanced a 1:100 (10 mL por litro de solução).
  5. Deixe agir 10 minutos, o tempo de contato da ficha.
  6. Enxágue e seque se necessário, como diz a ficha.
  7. Registre data, hora, local, produto, lote e responsável.

No mobiliário, o manual troca os passos 3 a 6 por limpeza com detergente seguida de fricção com álcool a 70% ou outro desinfetante definido pelo SCIH. Com o Becker Álcool Etílico 70° INPM, a ficha pede o produto puro e 10 minutos de contato.

Documentação que a clínica mantém

  1. Procedimento escrito de cada tarefa, com produto, diluição e tempo de contato tirados da ficha técnica.
  2. Cronograma da limpeza terminal, com data, dia da semana e horário, assinado pelo chefe do setor e pelo responsável da limpeza (manual da Anvisa).
  3. FDS de cada produto ao alcance da equipe (NR-26, item 26.5.1) e treinamento para entender o rótulo e a FDS (item 26.5.2). Veja o que é a FDS.
  4. Registro da execução, com o lote do produto usado.

Erros comuns

  • Desinfetar tudo, sempre. O manual reserva o desinfetante para situações específicas; a rotina é com detergente.
  • Desinfetar sem limpar antes. O manual pede o local rigorosamente limpo antes da desinfecção.
  • Encurtar o tempo de contato. As fichas dos quatro desinfetantes hospitalares da linha pedem 10 minutos.
  • Varrer a seco. O manual manda varredura úmida.
  • Misturar produtos ou guardar solução pronta. O manual pede solução só para uso imediato. Veja como guardar produto de limpeza.
  • Usar desinfetante de uso geral no protocolo de saúde. Confira se a ficha diz "Desinfetante Hospitalar".
  • Álcool 70 líquido nas mãos. É desinfetante de superfície; para as mãos, use o gel antisséptico.

Produtos citados

A ficha técnica e a FDS vigentes de cada produto estão na página dele. Para montar o protocolo da sua clínica, fale com a equipe técnica da Cronlimp pelo WhatsApp.

Produtos citados nesta análise

Detergente Neutro Beckplater 5 Litros Becker — bombona vista de frente
Fornecedor: Becker
Detergentes

DETERGENTE NEUTRO BECKPLATER - BB 05 LITROS

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Ficha técnica
DESINFETANTE HOSPITALAR BECKER PEROX ADVANCED 05 LITROS
Fornecedor: Becker
Desinfetantes

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Ficha técnica
BEKCER CLOREX  - USO HOSPITALAR 5LT
Fornecedor: Becker
Desinfetantes

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Ficha técnica
DESIFETANTE  VULCAN HOSPITALAR PHMB - BB 05 LITROS
Fornecedor: Becker
Desinfetantes

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Ficha técnica

Perguntas frequentes

A clínica precisa desinfetar todas as superfícies todos os dias?
Não. O manual da Anvisa para limpeza e desinfecção de superfícies em serviços de saúde manda usar sabão ou detergente na rotina e restringe o desinfetante a situações específicas, como presença de matéria orgânica (sangue e fluidos corporais) e de microrganismos multirresistentes, ou quando o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) indicar.
Com que frequência limpar cada área da clínica?
Pelo manual da Anvisa, a limpeza concorrente (diária) é de no mínimo 3 vezes por dia em área crítica, 2 vezes em área semicrítica e 1 vez em área não crítica, sempre em horário preestabelecido e sempre que necessário. A limpeza terminal programada é semanal na área crítica, quinzenal na semicrítica e mensal na não crítica.
Consultório é área crítica ou semicrítica?
O manual da Anvisa cita ambulatórios, banheiros e corredores como exemplos de área semicrítica, e laboratório de análises clínicas e farmácia como exemplos de área crítica. O próprio manual lembra que o risco depende do procedimento feito no local, então a classificação de cada sala fica no protocolo da clínica.
O que fazer quando cai sangue ou fluido numa superfície?
Pelo manual da Anvisa: retirar a matéria orgânica com papel toalha ou pano, limpar com sabão ou detergente, enxaguar e secar, e só então aplicar o desinfetante, respeitando o tempo de contato do fabricante. Com o Becker Perox Advanced, por exemplo, a ficha técnica pede 10 minutos de contato.
Que documentos a clínica deve manter sobre limpeza?
O procedimento escrito de cada tarefa, com produto, diluição e tempo de contato da ficha técnica; o cronograma da limpeza terminal com data, dia da semana e horário, assinado pelo chefe do setor e pelo responsável da limpeza, como pede o manual da Anvisa; e a FDS de cada produto ao alcance da equipe, com treinamento para entendê-la (NR-26, itens 26.5.1 e 26.5.2).

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